Torne-se um analista de ações e mude de carreira

O mercado financeiro tem visto grandes mudanças no que tange ao perfil dos investidores. Isso tem levado a uma maior democratização, uma vez que antes apenas os mais ricos eram os únicos a terem acesso a esse mundo. Além disso, os home brokers fizeram com que a barreira espacial fosse rompida de uma vez por todas, sem contar, é claro, com os valores mínimos para que seja possível investir através das corretoras.

Uma vez que temos um ambiente macroeconômico atual, no qual patamares históricos de juros baixos foram alcançados, aliado à injeção de liquidez por parte dos governos na economia, foi possível alcançarmos as condições favoráveis para que uma nova leva de investidores se interessassem, principalmente, pela bolsa de valores.

No Brasil, isso vem acontecendo com mais força a cada ano que passa. Em 2021, a B3, identificou mais de 3,5 milhões de pessoas que estão expostas ativamente à bolsa nacional — em comparação com 2015, esse número era de 500 mil. Essas pessoas buscam, primordialmente, exposição a novos setores e maior lucro para o capital investido. 

Este avanço foi muito rápido e bem diversificado. Dentre os que ingressaram no período, há os que mantém um posicionamento mais clássico perante os investimentos, focando os esforços no longo prazo; como há também os que preferem os ganhos mais imediatos, principalmente pela necessidade de um complemento de renda por causa da crise ou até mesmo, fazendo disso uma ocupação integral — entrando na categoria de “analista de ações”.

Analistas de ações e certificações

Apesar da facilidade que as pessoas têm ao ingressarem na bolsa, ela não garante que o investidor iniciante obtenha altos lucros logo de início. Na realidade, o que esses investidores encontram são dificuldades em relação ao conhecimento do mercado — como ele se comporta e quais os seus mecanismos — , além de aprenderem a identificar ativos que sejam bons, e só então, traçar uma boa estratégia para que haja bons retornos.

Em outras palavras, pode-se dizer que a curva de aprendizado desses novos investidores tende a ser lenta ou que eles podem sofrer bastante por tomar decisões precipitadas por falta de instrução. Portanto, procurar se capacitar é essencial, caso o investidor queira ter sucesso nos seus investimentos.

Isso vai de acordo com os dados da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento de Mercado de Capitais (Apimec) de março de 2021. Segundo a instituição, o Brasil conta apenas com 959 profissionais capacitados a trabalhar na área; enquanto que nos EUA esse valor supera os 200 mil.

Caso alguém queira ser youtuber ou influencer com conhecimento autodidata, é possível. Porém, se o interesse da pessoa está em ter garantias de que o que foi aprendido é de qualidade, sendo ensinado por alguém que realmente entende, de modo a fazer carreira na área, é imprescindível que tanto cursos quanto certificações façam parte do currículo.

De acordo com a Instrução CVM 483/2010 é obrigatório o credenciamento de analistas de valores imobiliários e deve ser feito por entidades autorizadas pela Comissão para qualquer pessoa que possua um diploma de ensino superior. A Apimec oferece a Certificação Nacional do Profissional de Investimento (CNPI).

Além dessa, existem outras certificações, tais como: CFA (Chartered Financial Analyst), CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) e CFP (Certified Financial Planner). Com elas é possível subir de nível na carreira, apesar de não serem obrigatórias.

Mudando de carreira

Como exemplo podemos citar o caso do Fernando. Nascido em família com recursos financeiros, porém com pouco conhecimento sobre investimentos e multiplicação do patrimônio. E ainda sem uma boa gestão dos recursos, viu o patrimônio de sua família se transformar em dívidas com os anos.

Quando Fernando entrou na faculdade, teve que fazer dois estágios simultaneamente para que conseguisse honrar com os compromissos e ajudar a família, que não se encontrava em uma situação tão boa no momento. Apesar das dificuldades, conheceu o mercado financeiro e a partir de então começou a separar uma parcela de sua renda para investir.

Ele diz que aprendeu muita coisa como autodidata; por meio de livros. Além disso, ingressou no exército, como aspirante, e foi membro do corpo jurídico de seu batalhão até 2018.

“Comecei a advogar quando saí do exército e também me matriculei numa pós-graduação em processo civil. Ao mesmo tempo, operava minha carteira na bolsa de manhã e tinha consciência de que já estava vivendo do mercado. Fiquei alguns meses no limbo, mas decidi que queria investir nisso”, afirma.

Com isso, ele deixou a pós na área do Direito de lado e ingressou no MBA em Ações e Stock Picking. Neste período de sua vida foi quando ele conseguiu se munir de ferramentas para que o seu capital fosse investido corretamente, e a partir de então, no futuro, ser capaz de passar essas recomendações para os outros investidores, como analista de ações.

Quanto ganha um analista de ações?

De acordo com algumas consultorias de recursos humanos, a média salarial inicial para o analista de ações está na faixa de R$ 11 mil em 2021. Profissionais mais experientes podem chegar à faixa de R$ 27,7 mil.

Além disso, acréscimos aos salários são possíveis. Tudo depende da performance dos colaboradores. Onde o trabalho é bem feito, o analista de ações pode ser recompensado de forma bem generosa.