Título de capitalização: o que é e como funciona

A ideia de concorrer a prêmios e resgatar o dinheiro aplicado mensalmente parece muito boa. Mas será que isso é realmente vantajoso? Caso isso pareça interessante, continue a leitura e se informe do funcionamento dos títulos de capitalização e se eles são uma boa opção para você.

Título de capitalização: o que é isso?

É uma espécie de aplicação financeira que é comumente oferecida por gerentes de banco, que pode ter nomes bem variados, porém, que têm funcionamento bem parecido. A ideia básica por trás do título de capitalização é:

  • O cliente firma um compromisso para pagar um valor que pode ser pago de forma diluída por meio de parcelas mensais ou de forma integral à vista. O benefício que o título oferece ao cliente seria a oportunidade de participar de sorteios, concorrendo a prêmios em dinheiro, durante um prazo preestabelecido. Assim que o título expira, o dinheiro que o titular guardou pode ser resgatado com as devidas correções.

No país, a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) é o órgão responsável pela aprovação das entidades que estão aptas a emitir títulos de capitalização.

O valor aplicado nem sempre é resgatado de forma integral

Por mais que o canto das sereias seja agradável aos ouvidos, a realidade é totalmente diferente! O primeiro problema que analisamos em relação aos títulos de capitalização é que apenas uma pequena fatia dos pagamentos realizados serão destinados à formação do capital de resgate — o que os clientes podem resgatar quando o título expira. O restante do dinheiro é destinado à “administração” por parte da instituição responsável, a fim de que os sorteios sejam organizados.

De todo o capital que os titulares pagam mensalmente, é feito o desconto das Quotas de Sorteio — valor que cobre os sorteios e prêmios — e das Quotas de Carregamento — valor cobrado para custear a administração do dinheiro.

Pode-se dizer então que existe grande probabilidade que o titular receba menos do que pagou mensalmente quando o título expirar — isso sem contar a grande possibilidade de nunca ser sorteado. Mesmo que algumas instituições ofereçam títulos que garantam, no mínimo, o retorno do que foi pago mês a mês, o que o cliente terá no final não será um rendimento satisfatório (rendimento baixo).

Pode parecer, mas título de capitalização não é investimento!

Os títulos de capitalização têm os seus valores corrigidos pela TR (Taxa Referencial) e uma porcentagem que é comumente definida em contrato. Atualmente, o mínimo praticado é de 1%.

O problema é que a TR está zerada no Brasil há alguns anos, além de que a porcentagem usada na correção não surtirá efeito sobre o dinheiro que o cliente pagará de forma integral — lembre-se que as taxas administrativas ficam com uma parte desse montante. Desse modo, pode-se afirmar que o título de capitalização rende ainda menos do que a poupança — que rende pouco e não é a melhor forma de se guardar o dinheiro na atualidade.

Além disso, de acordo com a SUSEP, em se tratando dos títulos de capitalização, o resgate feito sobre o montante final será sempre inferior ao mesmo valor aplicado na caderneta de poupança, uma vez que há descontos referentes às taxas administrativas e relacionadas aos valores de prêmios e sorteios.

Chances mínimas de ser sorteado

Muitos títulos de capitalização oferecem prêmios e sorteios, sendo a principal forma de atrair os clientes. Apesar disso, eles não são obrigados a oferecer esses itens, sendo, portanto, apenas uma forma de captar clientes.

Por mais que as pessoas tenham o sonho de ficarem milionárias do dia para a noite, as chances reais de que isso se torne realidade é ínfima. Antes de obter um título de capitalização é imprescindível que o cliente fique bem atento em relação à Ordenação e Identificação de Títulos que está presente no contrato. Ali será fornecida a série (quantidade de títulos emitidos), e consequentemente, as chances que um cliente terá de ser contemplado.

Como todos sabem, quanto maior o número de títulos (portanto, de titulares) menor a chance de ser sorteado e embolsar uma quantia bem generosa. E ainda tem o seguinte detalhe: a depender do prêmio oferecido, ou seja, se for um prêmio alto ou não, o valor destinado ao resgate no final tenderá a ser menor.

O motivo para que isso ocorra está justamente no fato das premiações serem bancadas com uma parte do valor pago pelos clientes. Portanto, apenas uma parte das parcelas é destinada ao resgate, no final.

Portanto, quanto maior o prêmio for, maior será o valor alocado à Quota do Sorteio e, consequentemente, menor será o valor do resgate.

O dinheiro pode ficar preso

Como já foi dito, os títulos de capitalização não são investimentos, portanto não são a melhor forma de se poupar dinheiro. Um dos motivos para isso é que os pagamentos a serem realizados pelos titulares são pré-determinados (datas fixas), então quando há uma quantia sobrando não é possível aplicar o dinheiro.

Outro motivo seria a falta de flexibilidade na hora de resgatar o dinheiro. Quer dizer, o cliente terá que esperar a data certa para fazer isso. A depender do tipo de título, será necessário esperar um prazo de carência. Portanto, na hora de contratar um título de capitalização, fique atento a esses detalhes.