Saiba o que é a taxa Selic e a relação que ela tem com a sua vida

A Selic nada mais é do que a taxa básica de juros da economia nacional. Em resumo, ela exerce influência sobre todas as demais taxas de juros do Brasil, como as cobradas em empréstimos, financiamentos, e até de retorno em aplicações financeiras.

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um programa inteiramente digital em que os títulos do Tesouro Nacional são comprados e vendidos todos os dias por instituições financeiras.

Somente as instituições financeiras – além do Banco Central – têm o aval para negociar títulos nesse ambiente. Ou seja, pessoas comuns não são permitidas. Por outro lado, a Taxa Selic está relacionada aos juros dos títulos públicos que o governo oferece dentro deste sistema.

Para que serve e como impacta a economia?

A Selic é um dos componentes indispensáveis da política monetária no Brasil, que está fundamentada em um sistema de metas de inflação. Criado em 1999, ele estipula o comprometimento do país em adotar medidas para manter a inflação dentro de uma faixa fixada periodicamente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros e o presidente do Banco Central.

O propósito é assegurar a estabilidade da economia e prevenir descontroles de preço como os que o país já viveu em décadas anteriores, que acarretam na perda do poder de compra da moeda.

A meta de inflação aqui no Brasil teve o início em 8%, com um limite de variação de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Caiu com o passar do tempo e permaneceu em 4,5% ao ano por quase uma década e meia. No ano passado, a meta era 4% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a meta é considerada satisfatória se a inflação acumulada no ano se encontrar na faixa de 2,5% a 5,5%.

O que o governo faz para tentar controlar a inflação?

A principal estratégia de política monetária é induzir a quantidade de dinheiro que circula na economia do país. Não é difícil compreender a lógica por trás disso: quanto mais recursos forem ofertados, maior a propensão das pessoas consumirem. E quando elas aumentam a demanda por produtos e serviços, é natural que os preços aumentem. O contrário também é verdadeiro.

É aí que a Selic entra em cena. Ela é o principal instrumento que o Banco Central utiliza para controlar a quantidade de recursos em circulação. Dessa forma, quando a economia está bem estimulada e os preços começam a subir a ponto de arruinar a meta de inflação, a Selic é elevada. 

Fica muito mais complicado pegar crédito com os juros mais elevados,– e isso, não apenas para os consumidores, como também para as empresas e até mesmo o próprio governo. Isso desencoraja o consumo e ajuda a refrear os preços.

Quando a inflação está controlada ou abaixo da meta, a medida oposta é tomada. Quando é possível, a Selic diminui, o que incentiva o consumo e ajuda a aquecer a economia.

O que faz a Selic subir e cair?

Na prática, depois que uma meta para a Selic é estipulada, o Banco Central precisa atuar para que a taxa efetiva se mantenha naquele patamar. Não basta o comunicado – por si só, ele não assegura que os juros permaneçam no nível esperado.

A atuação do Banco Central ocorre no que se chama de “mercado aberto”. Resumidamente, o que ele faz é comprar e vender títulos públicos federais, diariamente, aumentando ou diminuindo a oferta deles, de modo que os juros sejam mantidos próximos do valor definido pelo Copom.

Suponha que foi decidido em uma determinada reunião que a Selic deve aumentar. Para direcionar esse movimento de alta dos juros, o Banco Central busca vender uma quantidade maior de títulos públicos às instituições financeiras. Para que sejam chamativos, eles precisam ser negociados a um preço mais em conta, o que acarreta em oferecer uma remuneração maior. 

Isso reflete nas taxas de juros adotadas pelas próprias instituições financeiras, pois só será atrativo mais para elas realizarem outras operações de crédito – em vez de manter o dinheiro aplicado nos títulos públicos expedidos pelo Banco Central – se as taxas também forem maiores.

O Banco Central faz o contrário para pressionar a Selic para baixo. Em vez de vender, ele procura comprar títulos públicos que as instituições financeiras já tenham disponíveis na sua carteira. Para que os bancos tenham interesse em vender seus papéis de volta, é necessário que sejam negociados a um preço bem mais alto, o que tende a forçar a remuneração geral dos títulos públicos para baixo.

Investimentos com a Selic

Como já foi dito anteriormente, os movimentos da Selic têm influência direta sobre a remuneração que os investidores encontram nas aplicações financeiras de forma geral.

Em alguns casos, o impacto é instantâneo. É o caso dos investimentos de renda fixa. Esses papéis, na prática, simbolizam os títulos de crédito. Dessa maneira, quando você compra um CDB de um banco, na verdade você está emprestando dinheiro a ele, por um determinado período, em troca de uma remuneração – ou seja, em troca de juros.

A taxa proporcionada nesse caso sofre a influência do aumento ou da redução da Selic, que é a referência para o sistema financeiro de uma forma geral.

Ainda mais direto é o efeito nos títulos públicos negociados no Tesouro Direto. A remuneração do título Tesouro Selic, a título de exemplo, é a própria taxa Selic. Se os juros básicos sobem ou descem, a lucratividade desses papéis espelha o movimento na hora.

Assim, de maneira geral, períodos em que a Selic está em alta geralmente são mais favoráveis para os investimentos de renda fixa do que os períodos em que a taxa está em queda. Como no país os juros foram muito altos durante vários anos, os brasileiros se acostumaram a ter bons retornos com esse tipo de papel.