Saiba mais sobre a história do dinheiro

O dinheiro, quer seja representado por uma moeda de metal, uma concha ou um pedaço de papel, nem sempre tem valor. Seu valor depende da importância que as pessoas dão a ele como meio de troca, como unidade de medida e como forma de representação de riqueza.

O dinheiro permite que as pessoas negociem bens e serviços indiretamente, ajuda a estabelecer o preço dos bens (preços em real, por exemplo, correspondem a uma quantia numérica em sua posse, ou seja, em seu bolso, bolsa ou carteira), e fornece às pessoas uma maneira de armazenar sua riqueza a longo prazo.

O dinheiro é valioso apenas porque todos sabem que ele será aceito como uma forma de pagamento. Entretanto, ao longo da história, tanto o uso quanto a forma que ele teve evoluíram.

Embora na maioria das vezes os termos “dinheiro” e “moeda” sejam usados de forma intercambiável, existem várias teorias que sugerem que esses termos não são idênticos. De acordo com alguns teóricos, o dinheiro é inerentemente um conceito intangível, enquanto a moeda é a manifestação física (tangível) do conceito intangível de dinheiro.

Por extensão, de acordo com essa teoria, o dinheiro não pode ser tocado ou cheirado. A moeda é a moeda de metal, a cédula de papel, o objeto, etc. que é apresentada sob a forma de dinheiro. 

A forma básica do dinheiro são os números; hoje, ele é representado pelas notas de papel, moedas ou cartões de plástico (por exemplo, cartões de crédito ou de débito). Embora essa distinção entre dinheiro e moeda seja importante em alguns contextos, para os propósitos deste artigo, eles serão utilizados de forma intercambiável.

A transição das trocas para as moedas

O dinheiro — de alguma forma — tem feito parte da história humana por pelo menos os últimos 3.000 anos. Antes dessa época, os historiadores geralmente concordam que um sistema de trocas era provavelmente utilizado.

A troca é um comércio direto de bens e serviços; por exemplo, um agricultor pode trocar um quilo de trigo por um par de sapatos de um sapateiro. No entanto, essas negociações levam tempo. 

Se você estiver trocando um machado como parte de um acordo no qual a outra parte deve matar um mamute, você tem que encontrar alguém que pense que um machado é um bom negócio para ter que enfrentar as presas de um mamute. Se isso não funcionar, você terá que alterar o acordo até que alguém concorde com os termos.

Lentamente, um tipo de moeda que envolve itens facilmente comercializados, como peles de animais, sal e armas, foi sendo desenvolvido ao longo dos séculos. Esses bens negociados serviram como meio de troca (embora o valor de cada um desses itens ainda fosse negociável em muitos casos).

Esse sistema de comércio se espalhou pelo mundo e ainda sobrevive até hoje em algumas partes do globo.

Uma das maiores conquistas quando o conceito de dinheiro foi introduzido refletiu no aumento da velocidade com que os negócios, sejam eles de mamutes ou de monumentos, podiam ser feitos.

Os chineses criam objetos parecidos com as moedas atuais

Por volta de 770 a.C., os chineses passaram do uso de objetos utilizáveis — tais como ferramentas e armas, como um meio de troca — para o uso de réplicas em miniatura desses mesmos objetos que haviam sido fundidos em bronze. 

Devido à falta de praticidade — ninguém quer colocar a mão no bolso e empalá-la em uma flecha afiada — esses pequenos punhais, espadas e enxadas deixaram de ser utilizados e foram substituídos por objetos em forma de círculo. Esses objetos se tornaram algumas das primeiras moedas que podemos reconhecer atualmente.

Embora a China tenha sido o primeiro país a usar um objeto que as pessoas modernas pudessem reconhecer como dinheiro, a primeira região do mundo a usar uma instalação industrial para fabricar moedas que pudessem ser usadas com essa finalidade foi na Europa, na região chamada Lídia (agora oeste da Turquia). Hoje, esse tipo de instalação é chamado de casa da moeda, e isso acontece por meio da cunhagem.

A primeira moeda oficial é cunhada

Em 600 a.C., o rei da Lídia, Alyattes, cunhou a primeira moeda oficial. As moedas eram feitas de electrum, uma mistura de prata e ouro que ocorre naturalmente, e elas eram cunhadas com imagens que funcionavam como denominadores. 

Nas ruas de Sardis, por volta de 600 a.C., um pote de barro poderia custar duas corujas e uma cobra. A moeda da Lídia ajudou o país a aumentar seus sistemas de comércio interno e externo, tornando-o um dos impérios mais ricos da Ásia Menor. (Hoje, quando alguém diz, “tão rico quanto Croesus”, está se referindo ao último rei da Lídia que cunhou a primeira moeda de ouro.

O surgimento das Guerras Monetárias

A mudança para o papel-moeda na Europa aumentou a quantidade de comércio internacional que poderia ocorrer. Os bancos e as classes dominantes começaram a comprar moedas de outras nações e criaram o primeiro mercado de moedas. 

A estabilidade de uma determinada monarquia ou governo afetava o valor da moeda do país e, portanto, a capacidade dessa nação de negociar em um mercado cada vez mais internacionalizado.

A competição entre esses países muitas vezes levava às guerras monetárias, onde os países concorrentes tentavam mudar o valor da moeda do concorrente, elevando-a e tornando as mercadorias do inimigo mais caras, reduzindo o poder de compra do adversário, ou eliminando completamente a moeda concorrente.