Round 6 aumentou a quantidade de usuários da Netflix

As assinaturas da Netflix aumentaram no terceiro trimestre de 2021, como mostra a quantidade de visualizações dos melhores programas da plataforma que não foram produzidos nativamente em inglês.

A empresa americana adicionou 4,4 milhões de usuários nos três meses, até 30 de setembro, o que representa mais que o dobro do trimestre anterior.

A série de TV coreana Round 6 foi seu maior sucesso, sendo assistida por aproximadamente 142 milhões de lares em suas primeiras quatro semanas.

Ela aparece no momento em que alguns funcionários da Netflix se preparam para sair na quarta-feira em meio a uma reação contrária ao comediante Dave Chappelle.

Eles acusam o artista de ridicularizar os transgêneros em seu último especial da plataforma, porém a Netflix o defendeu.

O ótimo desempenho da companhia segue um início lento em 2021, quando a crescente demanda de streaming que ocorreu anteriormente na pandemia foi reduzida.

A empresa americana — que é a maior plataforma de streaming do mundo — espera, agora, adicionar cerca de 8,5 milhões de novos assinantes no quarto trimestre — o que está acima das expectativas dos analistas.

Esses resultados estão sendo impulsionados pelas séries bem populares como Sex Education, O Gambito da Rainha e Round 6.

Round 6 se torna febre mundial

A série distópica — que conta a história de um grupo de pessoas forçadas a participar de jogos infantis mortais por dinheiro — tornou-se uma sensação viral e destronou o drama de época Bridgerton como a série mais popular da Netflix até hoje.

De acordo com a Bloomberg, acredita-se que a série coreana valha cerca de 900 milhões de dólares para o gigante do streaming, depois de ter custado 21,4 milhões de dólares para ser produzida.

Outra série em que o inglês não é língua nativa, La Casa de Papel (também conhecido como Money Heist), também se saiu bem, tendo sido assistida por 69 milhões de espectadores em suas primeiras quatro semanas.

“Agora estamos produzindo séries de TV e filmes locais em aproximadamente 45 países e fortalecemos relações profundas com as comunidades criativas ao redor do mundo”, disse a Netflix em uma carta aos acionistas.

A empresa espera atrair mais novos usuários até o natal, com o retorno de temporadas de programas populares como “Tiger King” e “Cobra Kai“.

A companhia também concordou em adquirir a Roald Dahl Story Company em setembro, aguardando apenas a aprovação regulatória. Dessa forma, portanto, será proprietária dos direitos dos títulos como A Fantástica Fábrica de Chocolate e Matilda.

O caso Dave Chappelle

No especial “The Closer” de David Chappelle aparece uma piada onde diz que “o gênero é um fato” e acusou as pessoas LGBTQ de serem “muito sensíveis”.

Em uma esquete, Chappelle, que é negro, diz: “em nosso país você pode atirar e matar [um negro], mas é melhor não ferir os sentimentos de uma pessoa homossexual”.

Antes de um comício na quarta-feira na sede da Netflix na Califórnia, um grupo que representa pessoas trans disse à empresa para parar de exibir, em sua plataforma, “o discurso de ódio” e fez uma série de exigências.

“Queremos que a empresa adote medidas nas áreas de investimento de conteúdo, relações com funcionários e segurança, e redução de danos, todas elas necessárias para evitar futuros casos de transfobia e discurso de ódio em sua plataforma”, disseram eles em uma declaração.

Em um memorando ao pessoal da empresa no início deste mês, Ted Sarandos, co-chefe da Netflix, reconheceu que alguns funcionários “ficaram irritados” pelo programa de Chappelle, mas defendeu a liberdade artística e disse que o material não causou “danos no mundo real”.

Na terça-feira, no entanto, Sarandos disse ao Deadline que lamentava essa resposta imediata e que deveria ter feito mais para reconhecer a “dor” dos funcionários. Mas ele também disse que a companhia não planejava retirar, editar ou acrescentar avisos de conteúdo ao programa de Chappelle.

“O stand-up comedy é uma forma de arte bastante singular”, disse ele ao Deadline. “Nós realmente não nos envolvemos nem interferimos no material em si, e eu acho que é consistente com essa forma de arte e certamente condiz com a comédia de Dave Chappelle, então eu não acho que um cartão de advertência ou uma edição teriam sido apropriados”.