Programa de redução voluntária paga R$ 50 para quem economizar na conta de luz

Em meio a uma das maiores crises hídricas da história do Brasil, entra em vigor nesta quarta-feira (1º), o Programa de Incentivo à Redução Voluntária do Consumo de Energia Elétrica, idealizado pelo governo federal.

Por meio desse incentivo, os consumidores que reduzirem os gastos com energia elétrica em até 10%, serão beneficiados com R$ 50 para cada 100 kWh poupados.

A duração do programa está prevista até dezembro de 2021 e contemplará aqueles que conseguirem economizar entre a faixa de 10% a 20%. Vale ressaltar que quem ficar abaixo dos 10% não será gratificado com o bônus, além de que os que ultrapassarem 20% de economia não receberão nenhum outro tipo de gratificação.

Para que o cálculo seja feito, serão utilizados como parâmetro o consumo decorrente do mesmo período em 2020 — do mês de setembro a dezembro.

Governo diz que bônus sai mais barato do que manter termelétricas ativas

Com a estratégia, o governo espera que haja uma redução na demanda de 914 MW — o que equivale a 1,41% do SIN (Sistema Interligado Nacional). Além disso, o custo previsto para o pagamento de bônus gira em torno de R$ 339 milhões mensais, valor que será bancado pelos ESS (Encargos de Serviço do Sistema).

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o pagamento desse bônus à população sairá mais em conta se comparado aos custos para manter as termelétricas em funcionamento como forma de gerar energia adicional.

Encarecimento da conta de energia elétrica

Ainda nesta quarta-feira (1º), o aumento na conta de luz passará a ser cobrado, conforme anunciado pela Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética).

O valor do reajuste será algo em torno de 6,78%, que será cobrado por meio da criação da bandeira especial da “Escassez Hídrica” que será inclusa na conta de luz.

Em comparação à bandeira atual, o aumento da taxa será de R$ 14,20/100 kWh, valor que representa algo em torno de 50% a mais. Além disso, a medida terá validade para todos os consumidores a partir de 1º de setembro deste ano até 30 de abril de 2022.

Cidadãos de baixa renda não precisam aderir à nova bandeira

Os únicos que não precisarão seguir a nova regra são os moradores de regiões que não estão integradas ao SIN e cidadãos de baixa renda que possuem participação nos programas de tarifa social na conta de energia elétrica.

Em junho, mês em que aconteceu o primeiro aumento, o governo tinha anunciado que o país passaria por um momento delicado em relação à geração de energia elétrica devido à pior crise hídrica dos últimos 91 anos.

Além disso, o Ministério de Minas e Energia fez anúncio de mudança nas tarifas cobradas dentro da bandeira vermelha nos meses que se seguiram, até que chegasse à bandeira tarifária especial.

A situação se agravou ainda mais após o período que seguiu os meses de julho e agosto — quando a estiagem foi pior do que o governo esperava. Com isso, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste finalizaram o mês de agosto com a pior média mensal já registrada no país.