Pós pandemia: saiba quais são as tendências do mercado de trabalho no Brasil

Fazer previsões por si só já é uma tarefa muito difícil e até comprometedora. Em tempos de isolamento social e coronavírus isso se torna ainda mais difícil. O ambiente de trabalho foi o que mais mudou neste período – em um dia trabalho presencial, no outro o home office.

O que parecia que duraria apenas alguns dias se estendeu por muito mais tempo; 2021 entrou e as esperanças não foram renovadas. Apesar disso tudo, o futuro não será nada igual ao que era antes da pandemia. As dinâmicas do mercado de trabalho continuarão em permanente mudança depois que todo esse problema acabar.

Pensando nisso, especialistas produziram um relatório de como será (ou previsões de como será) o mercado de trabalho no pós pandemia. Confira a seguir as principais tendências que os especialistas preveem para o mercado de trabalho mundial e até mesmo brasileiro.

A vida no escritório será diferente

A mudança mais radical da pandemia foi a instauração do home office como alternativa ao trabalho presencial. Apesar das vantagens que o modelo trouxe consigo, como: flexibilidade de horário, comodidade, chances maiores de contratação de talentos em qualquer lugar do mundo, entre outros, problemas de comunicação, falta de motivação — só para citar alguns exemplos — persistem lado a lado às vantagens.

O que os especialistas preveem é que o modelo de home office continue, porém concomitantemente ao trabalho presencial, criando assim o trabalho híbrido. Em outras palavras, os trabalhadores irão trabalhar um dia presencialmente no escritório e no outro em casa, por exemplo.

Em uma pesquisa realizada durante esse período, muitos trabalhadores afirmaram que acreditam que o modelo híbrido seja o ideal no cenário pós-covid; e isso em um cenário onde a vacinação já esteja bem avançada e que o retorno presencial seja possível.

Políticas de diversidade nas empresas

Muitas empresas já vêm adotando posturas mais bem definidas em relação às questões sociais. Muitas delas possuem, inclusive, grupos de diversidade e incentivam ações que proporcionem a diversificação de seus times. 

Com a pandemia e o isolamento social, muitas pessoas testemunharam nas telas tanto da TV quanto dos smartphones o caso de George Floyd, com isso, uma onda de manifestações tomou o mundo inteiro, incluindo o Brasil. 

A partir deste episódio, a pauta da desigualdade social se intensificou ainda mais. Aqui no Brasil, segundo cálculo do Instituto Locomotiva com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), a diferença de salário entre brancos e negros com ensino superior é de 31%.

Em uma outra pesquisa (realizada pelo Glassdoor), cerca de 76% dos respondentes afirmaram que a diversidade em um time é um fator muito relevante na hora da procura por um emprego e da avaliação que é feita da empresa. Por essa razão, a tendência é que os funcionários dessas empresas passem a cobrar mais ações e resultados em assuntos relacionados à diversidade e inclusão.

Estabilidade e previsibilidade

Os problemas econômicos que se iniciaram em 2020 tais como: demissões, negócios fechados e os salários reduzidos, provavelmente serão recuperados no período que segue o fim da pandemia. 

Com essa recuperação econômica, as pessoas irão passar a pensar um pouco mais sobre o que fazem com o dinheiro. Aqui o planejamento será algo que muitas pessoas irão começar a fazer — nem que seja a passos lentos — incluindo, como será a aposentadoria.

A população mundial irá demandar o uso de benefícios que antes eram pagos porém raramente utilizados, como, por exemplo, o plano de saúde. De forma geral, as pessoas irão procurar ter mais estabilidade no longo prazo.

Empresas consolidadas terão de se adaptar

Muitas empresas imprimem ou reforçam as suas respectivas culturas, suas marcas através do ambiente de trabalho. Isso fica patente em grandes empresas de tecnologia como Amazon, Google e Facebook.

Antes da pandemia, quando alguém queria ir a uma determinada empresa para trabalhar, ela procurava saber sobre a localização, o clima do escritório e como era a aparência de tudo. Todas essas coisas ficaram para trás com o surgimento da pandemia.

As relações entre as pessoas dentro de uma empresa também sofreram alterações. Com o home office, as pessoas se viram em uma relação muito mais enxuta, isto é, não há mais o contato com os colegas de trabalho (excetuando-se os superiores).

No período pós pandemia, as empresas devem prestar muita atenção nos sentimentos de seus funcionários, já que existe grande chance do trabalho remoto continuar. Todos os problemas devem ser analisados para que a performance do time não seja afetada.

O que há de positivo para os empregadores é o fato que não existe uma relação direta entre satisfação por parte dos funcionários com a presença no escritório. Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Glassdoor, os fatores que mais atraem os funcionários são: missão que conecta o trabalho com o bem social, líderes empáticos, oportunidades de carreira e caminhos claros para a ascensão profissional.

O impacto da pandemia no mercado de trabalho

Mudanças na forma como consumimos também se tornaram diferentes durante a pandemia. Muitos produtos online foram comprados. Dentre eles, produtos de diversos tipos e cursos online. As pessoas se arriscaram a aprender algo novo durante este período. E todas essas mudanças podem durar por muito tempo.

Por essa razão, algumas oportunidades de trabalho serão menos requisitadas do que outras. Em uma pesquisa realizada pela Glassdoor, houve uma queda de 53% para vagas na área da beleza, e também para recepcionistas – vagas relacionadas ao setor de serviços pessoais.

Pelo lado positivo, alguns ramos dos negócios terão uma demanda maior de funcionários, dentre essas áreas podemos citar: e-commerce, tecnologia e saúde. Vagas para quem trabalha em armazéns cresceram 174% ano passado, por exemplo.