O que é uma empresa securitizadora?

A securitizadora entra em cena quando uma empresa tem valores de uma dívida a receber, porém não pode esperar por eles para dar prosseguimentos aos seus negócios.

O funcionamento de uma securitizadora, de uma forma bem simplificada, se fundamenta na compra daquilo que as pessoas estão devendo a uma determinada empresa, que por sua vez, recebe antecipadamente a dívida que só receberia no futuro, por intermédio da securitizadora, que fica com uma parte do valor da dívida retida consigo.

Para fins de exemplificação, um cliente de uma determinada empresa vai pagar R$ 1.000,00 no prazo de um mês, no entanto, o dono da empresa precisa desse valor agora. A securitizadora ficaria de intermediária e pagaria ao dono da empresa R$ 900,00 hoje e receberia a dívida do cliente, na data de vencimento, o valor integral de R$ 1.000,00. 

Todas essas dívidas são transformadas em títulos e negociadas juntas aos investidores. A seguir, entenda melhor o funcionamento de uma securitizadora.

Securitizadora: o quê é?

Uma definição mais técnica de securitizadora é: empresa (caracterizada como Sociedade Anônima) que se responsabiliza pela obtenção de bens de uma outra empresa. Todos esses ativos financeiros adquiridos são, então, transformados em títulos imobiliários — ações.

Um exemplo prático acontece quando um certo estabelecimento faz a venda de uma determinada quantidade de mercadoria a um cliente, que toma a decisão de fazer o pagamento à prazo. Ao contrário do que muitos esperariam acontecer nessa situação — da empresa esperar pelo pagamento de todas as parcelas —,  ela vende a dívida para a empresa securitizadora e recebe o valor antecipadamente.

Os termos securitização e securitizadora são muito semelhantes e estão muito relacionados. Essas palavras são originárias dos Estados Unidos e têm relação com a prática comum da hipoteca.

Funcionamento da securitização

Existem três partes envolvidas no processo de securitização, sendo: a securitizadora, a empresa e os investidores.

Empresa: a companhia que fará a oferta dos direitos dos créditos à empresa securitizadora, através da venda da dívida a fim de transformá-la em investimento.

Securitizadora: é a empresa que se encarrega de fazer a compra de dívidas, fazer a emissão de títulos mobiliários e permitir que os títulos fiquem disponíveis à negociação aos investidores, através da emissão dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Agrícolas (CRA).

Investidor: é quem se responsabiliza pela aplicação nos títulos, a fim de gerar recursos que possibilitam à securitizadora fazer o pagamento à empresa da qual fez a compra da dívida. Cabe lembrar, que os investidores podem ser tanto pessoas físicas quanto jurídicas, sendo os responsáveis pela cobrança das dívidas.

Exemplos de operações de securitização

O processo de securitização não é único. Dentre os tipos diferentes de operações, podemos citar: títulos de debêntures negociáveis, certificado de recebíveis imobiliários e do agronegócio, fundos de investimento em direitos creditórios. A seguir, entenda melhor como cada um funciona.

Certificado de Recebíveis

O certificado de recebíveis imobiliários (CRI) está atrelado às dívidas imobiliárias. Eles são, por exemplo, contratos de prestação de imóveis ou aluguéis. Aqui pode ser exemplificado com o caso de uma construtora que fez a venda dos apartamentos na planta, porém necessita dessa quantia para que as obras sejam  iniciadas. Ao securitizar as prestações, a construtora recebe o pagamento de forma adiantada, tendo um percentual descontado que servirá de rendimento para o investidor.

Já no caso do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), as dívidas são provenientes dos agentes rurais, tais como produtores ou cooperativas. São considerados ativos de renda fixa, tanto o CRI quanto o CRA.

Debêntures

As debêntures são aplicações de renda fixa que diversificam e trazem maior rentabilidade à carteira do investidor. Ao considerar a securitização, o investidor tem mais vantagem ao comprar títulos de debêntures negociáveis desse modo. Isso se dá pela diversificação das dívidas, e não a sua concentração em apenas uma.

Desse modo, caso haja inadimplência em uma dessas dívidas, o total de rendimentos não sofre grandes prejuízos, uma vez que as outras provavelmente serão quitadas. Isso é chamado de pulverização de recebíveis.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios

Popularmente conhecidos como FIDC, esses fundos podem ser uma boa alternativa para empresas que necessitam fazer o adiantamento dos pagamentos de suas contas que estão a ser recebidas. Já para os investidores, eles se tornam atrativos pelo alto nível de rentabilidade, possibilidade de negociação no mercado secundário e pela classificação por agência de risco.

As securitizadoras podem ser um recurso muito importante para as empresas que necessitam de imediato, porém elas também são de grande importância para os mais diversos tipos de investidores.

Para tirar o maior proveito dos recursos que ela oferece, é imprescindível buscar se aprofundar no seu funcionamento interno e como que as operações de securitização são realizadas a fim de tirar o maior proveito dos ativos que mais se encaixam no seu perfil de investidor.