G20: líderes mundiais firmam acordo histórico sobre impostos corporativos

Líderes das 20 maiores economias do mundo aprovaram um acordo mundial que obrigará os lucros das grandes empresas a serem tributados em pelo menos 15%.

Segue-se a preocupação de que as empresas multinacionais estão redirecionando seus lucros através de jurisdições de baixa tributação.

O pacto foi acordado por todos os líderes que participaram da cúpula do G20 em Roma.

A mudança climática e o Covid também estão na agenda da cúpula, que é a primeira reunião presencial que os líderes têm desde o início da pandemia.

O grupo do G20 é formado por 19 países e pela União Europeia, tendo o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin optando por aparecer via videoconferência.

O acordo fiscal, que foi proposto pelos EUA, deve ser adotado oficialmente no domingo, segundo a agência de notícias Reuters, e será aplicado até 2023.

A Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse que o acordo histórico foi um “momento crucial” para a economia global e “porá fim à corrida prejudicial da questão da tributação das empresas”.

Ela escreveu no Twitter que as empresas e os trabalhadores americanos se beneficiariam do acordo, mesmo que muitas mega-empresas sediadas nos EUA tivessem que pagar mais impostos.

A cúpula do G20 se antecipa à tão esperada COP26 sobre mudança climática em Glasgow, que começou nesta segunda-feira. O que acontece no G20 pode definir o tom da COP26, com divisões acentuadas entre os países sobre seus compromissos em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas.

O Primeiro Ministro italiano Mario Draghi abriu a cúpula do G20 com uma mensagem de unificação, dizendo aos líderes mundiais que “caminhar sozinho não é simplesmente uma opção. Devemos fazer tudo o que pudermos para superar nossas diferenças”.

Existem muitos avisos, cada vez mais preocupantes, dos especialistas para o futuro, caso não sejam tomadas medidas urgentes para reduzir as emissões de carbono.

Falando à BBC, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson descreveu a mudança climática como “a maior ameaça à humanidade”, dizendo que ela representa um “risco de retrocesso para a civilização”.

No entanto, ele reconheceu que nem a cúpula do G20 nem a COP26 iriam deter o aquecimento global, mas poderiam, se fossem tomadas as medidas corretas, “restringir o aumento da temperatura do planeta”.

De acordo com a agência de notícias Reuters, um comunicado esboça uma promessa do G20 em trabalhar para limitar o aumento das temperaturas a 1,5°C, sinalizando que “exigirá ações significativas e eficazes por parte de todos os países”.

O documento também aponta para a necessidade dos “países desenvolvidos mobilizarem anualmente US$100 bilhões de recursos públicos e privados até 2025 para atender às necessidades dos países em desenvolvimento” para que possam ter meios para melhor  enfrentar as mudanças climáticas — uma promessa que os países mais ricos não cumpriram desde 2009, quando foi inicialmente prometida.

Uma mensagem para o Irã

Separadamente, os líderes dos EUA, Alemanha, França e Reino Unido se reuniram para discutir a “grave e crescente preocupação” com as atividades nucleares do Irã. O Irã não faz parte do fórum do G20.

Em uma declaração conjunta, as nações disseram que se o Irã continuasse seus avanços nucleares, isso comprometeria a possibilidade do país voltar ao acordo nuclear de 2015 com os EUA e da suspensão das sanções econômicas.

Eles exortaram o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, a “mudar de rumo… para evitar uma perigosa escalada”.

O ex-presidente americano Donald Trump abandonou o acordo em 2018, reinstalando duras sanções contra o Irã. Desde então, o Irã aumentou suas atividades nucleares, violando grande parte do pacto multinacional.

As conversações com Teerã — que estão paradas há meses — devem recomeçar em novembro.