Fique por dentro das vantagens e desvantagens de voltar a trabalhar no escritório

Muitas empresas que adotaram o home office durante a pandemia estão definindo quando e como será a volta ao trabalho presencial com o avanço da vacinação no país.

Após quase um ano e meio distantes fisicamente, colegas e chefes terão a oportunidade de se reencontrar, tomar aquele cafezinho juntos e, principalmente, conviver lado a lado e trocar experiências, o que no trabalho online nem sempre era possível.

Por outro lado, os profissionais sairão de sua zona de conforto de trabalhar em casa, perto de seus familiares e pets, sem a necessidade de se deslocar até o local de trabalho.

Outros hábitos que se tornaram rotina, como usar roupas mais casuais e confortáveis, sem a necessidade do chamado “dress code”, a maquiagem que foi deixada de lado, a não obrigatoriedade de fazer a barba todos os dias ou de cortar o cabelo com frequência terão de ser repensados.

Uma pesquisa da Korn Ferry mostra que retornar à rotina do escritório será “difícil” e “estranho” para 70% dos entrevistados.

Profissionais estão reticentes ainda em abrir mão das roupas confortáveis que usam ao trabalhar em casa: 50% afirmam que pretendem se vestir de maneira mais casual quando voltar ao escritório.

De acordo com Jean Rosier, co-fundador da Sputnik, escola corporativa de metodologias disruptivas e métodos criativos, em meio a esse movimento de retorno, surgiu entre os profissionais o chamado “medo de voltar para o escritório”.

“Existem diversos motivos que podem gerar essa fobia, seja a insegurança de voltar a viver em sociedade ou o medo de não se adaptar. O trabalho remoto facilitou o dia a dia de muitos trabalhadores, principalmente em relação às horas gastas no deslocamento e na comodidade de trabalhar de casa para quem tem filhos, por exemplo”, diz.

Para ele, os gestores precisam entender qual é a realidade de suas empresas e checar o quanto seus funcionários estão preparados, para então realizar o retorno da maneira mais estratégica e amigável possível.

Ao mesmo tempo, os profissionais terão de mostrar adaptabilidade para a mudança. “Ela foi importante no manejo dos funcionários do escritório para o home office, e agora será importante para fazer o caminho inverso, já que novas dinâmicas serão construídas na volta para o escritório”, aponta Rosier.

Outra solução cogitada pelas empresas e bastante aceita pelos profissionais é a implantação do trabalho híbrido, com o rodízio entre o trabalho remoto e o presencial. Assim, eles mantêm o convívio tanto na empresa quanto em casa.

“Há vantagens e desvantagens no trabalho presencial. O ideal seria que cada um pudesse escolher seu regime preferido de trabalho, mas nem sempre é possível. Então, mapear bem cada situação pode ser um bom começo para trabalhar melhor em diferentes contextos”, diz o especialista em carreiras Antonio Batist.

Veja abaixo prós e contras e as principais adaptações que serão necessárias para a volta ao trabalho presencial, de acordo com Batist:

Não trabalhar mais ao lado do seu pet

Depende de quem é o dono, qual o pet e qual o vínculo entre eles. A diferença poderá não ser tão grande (se o pet é um daqueles gatos fujões que ficam dias longe de casa, por exemplo). Há situações em que o dono poderá sentir saudades e compensar isso ao voltar para casa. Tem pet que com certeza vai sentir muita saudade. Por outro lado, tem pet que poderá sentir alívio com a ausência do dono.

Não fazer as refeições com a família

Muitas famílias tornam a refeição e a carreira profissional melhores, mas nem toda família é assim. Sabe aquela de que “até pernilongo pode ter sangue do seu sangue”? Às vezes, acontece.

Não ter a possibilidade de resolver os problemas pessoais enquanto trabalha

Mesmo no presencial, muitas pessoas resolvem problemas pessoais de modo paralelo. Outros, estando em casa, não conseguem se desligar do trabalho. Seja em casa ou fora dela, depende do tipo de problema, do tipo de trabalho, do perfil da empresa e até da personalidade de cada profissional.

Voltar a se deslocar até o local de trabalho, o que demandará mais horas do dia

Não precisar enfrentar trânsito é o “céu” para muitos. Mas outras pessoas preferem conviver presencialmente com colegas de trabalho, mesmo tendo que enfrentar horas diárias de deslocamento.

Voltar a se preocupar com a roupa a ser usada, a barba a ser feita e a volta da maquiagem

Tem gente que se maquia ou se produz para reuniões por vídeo e tem aqueles que, mesmo no presencial, são o desleixo em pessoa. Embora o regime de trabalho influencie, a diferença maior pode estar na personalidade do indivíduo.

Voltar a comer fora

Geralmente, comer fora é mais caro do que cozinhar em casa, mas há outras variáveis a analisar. Tudo depende do foco (finanças, praticidade, socialização, nutrição) de cada um.

Resgatar o tempo para si e sua individualidade

Esse resgate depende, em parte, da realidade de cada um. Para pessoas que moram sozinhas, por exemplo, voltar ao presencial pode representar menos tempo para si. Já para quem convivia com a família em casa pode ser o contrário.