Elementos que levaram a WEG ser a melhor empresa da Bolsa

Sendo uma das empresas que tem dado ótimos resultados ao seus acionistas, a WEG (WEGE3) é uma empresa que tem como pilares lançar novidades e relançar produtos dentro de sua área de atuação. Esses ingredientes foram os responsáveis pelo sucesso que a companhia vem desfrutando, além de fazer dela uma empresa de envergadura internacional.

Harry Schmelzer Jr., CEO da empresa, afirmou que esses são os fundamentos que sustentam o sucesso da companhia. A avaliação que o CEO fez da empresa aconteceu durante o evento Melhores da Bolsa de 2021.

Para ele, o primeiro elemento que compõe o sucesso da empresa é o domínio da tecnologia: “sempre acreditamos que podemos estar no topo do conhecimento da tecnologia que a WEG está envolvida. A WEG investe permanentemente, isso significa investir na engenharia, em inovação. Isso é um destaque em toda nossa história”.

Logo após, o executivo destacou a disposição da empresa em fazer mudanças, investir e trazer novos elementos ao portfólio do que eles já fazem. “Há 60 anos, quando começamos, era apenas motores elétricos, hoje não é só isso”, explicou, fazendo destaques para os processos de automação e digitalização da indústria. “Todo ano é uma WEG diferente, sempre estamos criando alguma coisa nova”.

O terceiro fator que diferencia a companhia das demais é a sua capacidade de atuação no mercado internacional — estratégia adotada desde os anos 70 — , afirmou Schmelzer. “É só exportando que você aprende a ser competitivo”, aponta ele, deixando claro que uma fatia considerável do mercado mundial de motores elétricos é devido à empresa, mas que outras áreas também contam com avanços.

Por fim, o executivo ressalta a forma de gestão da WEG, em que todos os colaboradores são bastante comprometidos e têm orgulho de trabalhar dentro dela. Ele destacou ainda que a empresa ajuda no desenvolvimento de seus funcionários, nas formações deles. “A empresa que tem vontade de crescer, ela consegue engajar seus colaboradores”, avalia.

Participando do painel junto com Schmelzer, Sara Delfim, sócia-fundadora da Dahlia Capital, também destacou os pontos positivos da companhia que ajudaram ela a conquistar o prêmio de melhor da Bolsa.

“Investidor gosta de retorno, mas ele gosta de dormir tranquilo, e com a WEG a gente consegue isso […] Não lembro de nenhum evento na história da companhia que tenha tirado nosso sono”, disse a gestora.

Ela ressaltou os números da companhia, com uma receita que cresceu cerca de 15% ao ano nos últimos 20 anos e alta anual entre 25% e 30% do lucro. “O que acontece com o preço da ação de uma empresa que cresce todo ano? A ação da WEG nos últimos 10 anos subiu em média 30% ao ano”, completa.

Sara destacou também a fala do CEO da companhia sobre a capacidade dela em lançar novos produtos e soluções como algo que ajuda em seu crescimento.

Eletrificação pelo mundo

Questionado sobre o movimento global de eletrificação, em especial de carros elétricos, Schmelzer explicou que a WEG já está de olho neste mercado há algum tempo: “A mobilidade elétrica é irreversível. Com que velocidade isso vai acontecer é uma questão complexa”.

Segundo ele, a companhia está acompanhando as inovações, mas que ainda é um mercado novo e que deve apresentar mudanças nos próximos anos.

Neste cenário, Sara lembrou que há cerca de 10 anos ela fez uma visita em uma fábrica da WEG, onde pôde ver um carro elétrico no local, possivelmente já sendo testado pela empresa, em mais uma demonstração de como a companhia não fica para trás ao acompanhar as inovações.

Segundo ela, a empresa já tem parceria com a MAN para caminhões elétricos, além de já ter sua tecnologia atuante na fábrica da Tesla na Califórnia, em outro sinal da internacionalização do seu negócio.

Riscos

Apesar de tantos elogios, eles também conversaram sobre os riscos que podem envolver a companhia. Sara lembra que, nos ciclos econômicos, sempre existem países ou negócios indo bem e outros não muito. Muitas vezes o Brasil tem um bom momento, enquanto o resto do mundo está em uma fase ruim, e vice-versa.

Diante disso, e considerando que a WEG tem cerca de 40% de sua receita atrelada ao Brasil e o resto no exterior, ela avalia que um “risco” é se “tudo começar a crescer”, um cenário positivo para todo mundo.

“Talvez um risco, uma preocupação é, e se, por um milagre, tudo vai bem, o Brasil vai bem, o mundo vai bem, um crescimento forte no setor de energia, um crescimento forte no PIB de modo geral, será que a WEG conseguiria continuar crescendo, teria capacidade de acompanhar esse crescimento de Brasil e mundo ao mesmo tempo?”, avalia ela, ressaltando que é um “risco bom”, mas que nunca viu a WEG crescer num cenário assim.

E, para Schmelzer, essa é uma preocupação importante porque tem que aproveitar certos momentos para capturar mais participação de mercado. “O problema não é ganhar mais dinheiro naquele momento, o importante é não perder market share. Não pode deixar de atender os seus clientes”, explicou ele.