Como investir na Bolsa Americana?

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Uma dúvida muito comum aos investidores em geral é sobre a possibilidade de investir em ações de empresas americanas e até mesmo de outros países, visto que muitas destas empresas não são negociadas na bolsa brasileira (B3).

Em princípio, não há exigência de cidadania para possuir ações de empresas americanas. Embora os títulos de investimento dos Estados Unidos sejam regulamentados pela legislação daquele país, não há disposições específicas que proíbam indivíduos que não sejam cidadãos americanos de participar do mercado de ações dos Estados Unidos.

No entanto, mesmo que um cidadão não americano possa, legalmente, negociar ações e títulos dos EUA, ainda pode ser necessário (além de ser aconselhável) que ele consulte uma empresa de investimento e use os serviços de um profissional pois podem existir alguns detalhes legais e normativos que, seguramente serão observados por um profissional.

Ao mesmo tempo, é crescente o número de corretoras de valores e fintechs internacionais que possibilitam e facilitam a abertura de conta para estrangeiros, especialmente brasileiros, com o objetivo de permitir e franquear acesso a este mercado de investimentos altamente pujante e potencialmente lucrativo.

Requisitos de identidade para cidadãos não americanos

Um dos objetivos do Patriot Act de 2001, aprovado após os ataques terroristas de 11 de setembro, era impedir que indivíduos com qualquer vínculo com atividades terroristas financiassem suas atividades ilegais por meio dos mercados de capitais americanos. A lei levou as corretoras a implementarem requisitos mais rigorosos para verificar as identidades dos clientes, especialmente para cidadãos não americanos. 

Parte dessa legislação também exige que os corretores da bolsa relatem qualquer atividade suspeita da conta ao governo dos Estados Unidos. No entanto, essas regulamentações obviamente não afetam a maioria dos investidores internacionais, porque a grande maioria dos investidores não possui associações criminosas.

Algumas corretoras podem exigir que cidadãos não americanos produzam tipos adicionais de documentos de identificação para cumprir suas políticas individuais. Isso pode incluir informações sobre o visto, um número de seguro social válido ou um certificado de status de proprietário beneficiário para o formulário de retenção e relatório de imposto dos Estados Unidos (também chamado de W-8BEN). Algumas corretoras também podem exigir que cidadãos não americanos enviem inscrições em papel em vez de enviar inscrições online para abrir contas.

Abrindo uma conta de corretora

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Um corretor de ações internacional pode ajudar investidores novos no mercado americano a administrar seus investimentos. As corretoras podem ajudar a garantir que seus investimentos estejam em conformidade com todas as leis. 

Além disso, um corretor nos Estados Unidos estará familiarizado com a forma de navegar pelos meandros do mercado de ações americano. Algumas corretoras até se especializam em trabalhar com investidores internacionais.

No entanto, para investidores não americanos, é aconselhável que pesquisem se a corretora aceita ou não investidores de seu país específico; algumas empresas restringem as regiões geográficas com as quais trabalham. O bom é que muitas corretoras mantêm portais online onde os investidores podem monitorar seus investimentos a qualquer hora do dia e de qualquer local.

Alguns bancos brasileiros e um crescente número de fintechs permite e facilita a abertura de contas para brasileiros permitindo o investimento de estrangeiros. A nossa equipe possui conta em algumas destas corretoras e o procedimento é bastante simples. Corretoras como a Passfolio, Avenue e, mais recentemente a Nomad, permitem investimentos com baixo valor e compra direta de ativos tanto na NASDAQ quanto na Bolsa de Nova Iorque (NYSE – New York Stock Exchange).

Uma grande vantagem do mercado de ações americanos é que é possível comprar frações de ações, diferentemente do mercado de ações brasileiros que só permitem o investimento por meio de frações de lotes. Assim, é possível ter 0,5 ação do Google ou da Amazon, por exemplo, permitindo que investidores apliquem a partir de US$1,00 (um dólar).

Uma pergunta comum a respeito das corretoras americanas diz respeito a como os valores são transferidos para a conta da corretora. A maioria delas possui uma conta em um banco parceiro no Brasil para o qual o cliente realiza uma transferência. A partir dessa transferência a corretora americana identifica o valor e realiza a conversão para dólares americanos de acordo com o câmbio do dia e também deduz as taxas de operações. Antigamente esse processo levava um ou dois dias úteis, mas hoje em dia já é quase imediato.

Após a conversão o dinheiro fica disponível na sua conta junto à corretora para que você realize as compras e vendas dos ativos que lhe interessarem.

Implicações fiscais dos investimentos dos EUA no exterior

mão digitando calculadora

Existem implicações fiscais para o comércio de investimentos dos EUA, se você não for um cidadão americano. Os investidores que se qualificam como estrangeiros não residentes nos Estados Unidos para fins fiscais não estão sujeitos ao imposto sobre ganhos de capital sobre os rendimentos de seus investimentos.

Isso significa que a corretora não reterá nenhum imposto sobre os ganhos de uma conta. No entanto, muitos outros países exigem que seus residentes paguem imposto sobre ganhos de capital sobre o dinheiro ganho em mercados estrangeiros, o que é o caso do Brasil. Os investidores podem ser responsáveis ​​por esses impostos nos países onde residem ou onde pagam impostos.

Se você for um estrangeiro não residente e investir em uma empresa que paga dividendos, esses dividendos são geralmente tributados como renda a uma taxa fixa de 30% já retidos pela corretora.

Existem algumas exceções a essa regra: por exemplo, se o país de residência do investidor estiver envolvido em um tratado com os Estados Unidos que permite uma taxa de imposto mais baixa, o que não é o caso do Brasil. Da mesma forma, alguns investidores são elegíveis para uma taxa de imposto mais baixa sobre seus ganhos de dividendos se os ganhos estiverem relacionados a juros.

As regras fiscais internacionais são muito complexas; esse é outro motivo pelo qual pode ser aconselhável para um investidor não americano trabalhar com um corretor internacional que conheça as implicações fiscais de investir em mercados estrangeiros.

Por fim, recentemente, para aqueles que gostariam de investir em empresas estrangeiras não listadas na bolsa brasileira, recentemente foi criada a possibilidade de investir por meio de ETFs (Exchange Traded Funds) mas isso será melhor explicado em um outro post, dada a complexidade do assunto.

Se ainda restou alguma dúvida sobre o assunto, nos deixe um comentário abaixo.