Comprar à vista ou a prazo? Parcelar ou não?

Se você está na posição invejável de ter dinheiro disponível para comprar algo tão caro como um carro, um barco ou até mesmo uma casa à vista, por que tomaria dinheiro emprestado para pagar a prazo ao invés de comprar o ativo imediatamente?

Pode ser uma surpresa, mas as pessoas ricas fazem isso o tempo todo, especialmente quando as taxas de juros são favoráveis.

A lógica é simples: quando você pode pedir dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor do que a que ganha com o dinheiro que investe, é mais barato tomar um empréstimo do que pagar à vista. Em outras palavras, pegar um empréstimo pode ser lucrativo.

Ainda assim, milhões de leitores compartilham a simples convicção de que as dívidas devem ser evitadas a todo custo. Se você é um deles, pode ser porque já passou pela experiência de estar endividado, oou ter visto isso acontecer com alguém próximo a você e sabe o peso e o custo que muitas dívidas podem cobrar.

Neste artigo explicaremos um pouco de como pode ser vantajoso pedir um empréstimo para financiar ou pagar a prazo um determinado bem e de como podem existir dívidas boas e dívidas ruins.

Vantagens do financiamento

A primeira pergunta que surge é: por que financiar um bem? Bom, ao financiar um bem, seja pegando um empréstimo ou financiamento ou ainda, simplesmente pagando aquele bem a prazo, você antecipa a sua possibilidade de consumo. Em outras palavras, você, em uma situação normal, precisaria esperar juntar o dinheiro inteiro para conseguir adquirir aquele determinado bem. Se pensarmos em um bem de consumo simples, isso pode representar 3 ou 4 meses, por exemplo. Mas se pensarmos em um imóvel ou um carro, podermos falar em 20, 30 anos de acúmulo de riqueza antes de ter, efetivamente o dinheiro para adquirir o bem.

Por isso é que as pessoas recorrem ao financiamento ou ao parcelamento de suas compras, para antecipar a realização de uma compra que somente seria possível após um período de acumulo de riqueza. Inverte-se a ordem: primeiro se compra e depois se paga.

Neste contexto é importante entender que os juros são uma taxa cobrada pela pessoa (física ou jurídica) que empresa o dinheiro para que você antecipe o seu consumo.

Existem algumas vantagens óbvias no financiamento. Se você tiver um bom crédito e se qualificar para uma taxa de juros baixa, o financiamento pode ser o caminho natural a se percorrer.

Você estará evitando gastar todas as suas economias de uma vez, preservando alguns investimentos e, sobretudo, a sua disponibilidade de renda, em troca de uma pequena taxa de juros que, se descontada a rentabilidade dos seus investimentos preservados, se tornará menor ainda.

Outra ótima opção, e possivelmente o melhor dos dois mundos, é usar uma parte do seu dinheiro simultâneamente ao financiamento. Quanto mais dinheiro você investe de uma vez na compra do bem (quanto maior o sinal ou entrada que você der), menos tem para financiar e isso significa que você acabará pagando menos em juros, tendo economizado com o serviço da sua dívida e comprado um bem que seria inatingível com suas economias momentâneas.

Se você puder obter uma taxa de juros relativamente baixa (não é difícil encontrar parcelamento em algumas vezes sem juros ou com juros 0%), então é uma ótima escolha, pois, como explicamos, você antecipa o seu consumo, toma o dinheiro emprestado e paga somente o preço, sem nenhuma taxa de juros. É essencialmente dinheiro grátis.

Pagamento à vista

O pagamento à vista é o método de pagamento mais simples que um comerciante pode oferecer, pois permite que você pague o preço total imediatamente – da mesma forma que faria com um pão na padaria ou um cafezinho. Como resultado, o problema com esse método é óbvio – se você não tiver dinheiro suficiente em sua conta bancária para pagar o bem almeijado (um veículo, por exemplo), não poderá comprá-lo.

Não há mistério em uma compra a vista: é a simples troca que envolve toda relação comercial. O vendedor lhe entrega o bem e você entrega o preço por ele pedido.

Apesar de não haver mistério nessa transação sempre é possível pleitear um desconto e negociar melhor o pagamento visto que não há risco para o comerciante de não receber o preço do bem. Veja que no momento da realização da transação você está pagando a totalidade do preço pedido e, portanto, o comerciante irá ter dinheiro suficiente para pagar o fornecedor dele e a margem de lucro que ele estabeleceu. Logo, como não há risco, ele pode, eventualmente, diminuir um pouco a margem de lucro dele e lhe conceder um desconto.

Pagamento a prazo ou parcelado

Como já dissemos no início deste artigo, muitas vezes é possível encontrar ofertas de pagamento parcelado com taxas de juro extremamente baixas. Isso se deve a muitos fatores mas, principalmente, à facilidade de obtenção de crédito, muitas vezes subsidiados pelo governo que pretende incentivar a atividade econômica.

Além disso, o comerciante, confiando na certeza do recebimento, seja pela credibilidade do comprador, seja pela segurança concedida pelo agente intermediador (por exemplo, as administradoras de cartão de crédito) permite que a compra seja parcelada em algumas vezes sem que seja cobrada nenhuma taxa de juros para isso.

Nestes dois casos você, como comprador, deverá analisar se os juros cobrados pela transação (ainda que eles sejam iguais a zero) são maiores ou menores do que a rentabilidade (entendida como o uso que a disponibilidade do dinheiro tem para você) que você pode obter com aquele dinheiro.

Explicando melhor com um exemplo é simples. Se eu pretendo comprar um carro de R$ 20 mil reais em 20 parcelas iguais de R$ 1 mil reais. É melhor eu pagar os R$ 20 mil reais à vista ou pagar as 20 parcelas de R$ 1 mil reais e aplicar o restante do dinheiro em um investimento que me renderá frutos ao longo destes 20 meses? Não há dúvidas de que a segunda opção é a melhor. Se pensarmos em um bem com valor mais alto, maior será a vantagem dessa operação.

Tornando nosso exemplo mais complexo apenas para mostrar que nem sempre o fato de que sejam cobrados juros no financiamento é uma condição suficiente para rejeitá-lo vejamos o seguinte exemplo aproveitando os mesmos números. Se eu pretendo comprar um carro de R$ 20 mil reais em 20 parcelas, com uma taxa de juros de 1% ao mês, ou seja a primeira parcela será de R$ 1 mil reais, a segunda de R$ 1010 e assim sucessivamente. Mas, ao mesmo tempo eu consigo com meus investimentos uma remuneração de 2% ao mês. É melhor eu pagar os R$ 20 mil reais à vista ou pagar as 20 parcelas e manter o dinheiro aplicado?

Não há dúvidas de que a segunda opção é a melhor. Isto porque a primeira parcela será, inevitavelmente de R$ 1 mil reais. Mas enquanto a taxa de juros de 1% ao mês transformou a segunda parcela de R$ 1mil em R$ 1010,00 o meu investimento transformou os meus R$ 1mil em R$1020. Então, fazendo as contas você verificará que ainda assim é vantajoso pagar parcelado.

Conclusão

Não presuma que pagar em dinheiro por uma grande compra, como um carro ou uma casa, é automaticamente o melhor caminho a percorrer.

Se você estiver investindo com sabedoria e tiver um crédito excelente, poderá ganhar dezenas de milhares de dólares tomando dinheiro emprestado a uma taxa de juros baixa e investindo o dinheiro. Na verdade é isso o que os grandes milionários e até bilionários do mundo costumam fazer. A taxa de juros cobrada pelas instituições ao emprestar dinheiro para você estão diretamente ligadas ao risco de você não pagá-las. Então, se você tem uma grande quantia de dinheiro aplicada naquela instituição financeira, provavelmente você terá condições melhores para negociar sua taxa de juros.

Não existe uma regra rígida sobre o quão baixa uma taxa de juros precisa ser em relação ao seu retorno anual médio esperado. Para decidir você terá que fazer suas contas no caso concreto e verificar qual a condição mais vantajosa para você.

O que você acha? Qual é a melhor opção para a sua compra? Financiar ou o pagamento à vista? Deixe nos comentários a sua opinião e siga acompanhando nossas publicações para mais conteúdos como este sobre finanças e investimentos. Até a próxima!