Como fazer uma reserva de emergência

Prioridade

Em um modelo de investimentos constituir uma reserva de emergência é certamente o primeiro passo ser dado pelo investidor. A formação de uma reserva de emergência deve ser a primeira preocupação, aquela que merece maior senso de urgência do investidor porque ela difere do planejamento para a realização dos demais sonhos.

O planejamento de uma viagem ou do pagamento da faculdade do seu filho pode ser adiado, ainda que futuramente exija um esforço maior. Tomemos como exemplo o planejamento para pagamento da faculdade do seu filho: você pode tomar atitude de hoje de começar a poupar para faculdade do seu filho. Se não fizer, começar daqui cinco anos, você pode? Claro! Mas daí, para acumular o mesmo valor para a faculdade do seu filho você terá que se sacrificar mais para poupar um valor maior haja vista que o período para acumular a mesma quantia será menor. Outra alternativa será procurar investimentos com maior rentabilidade. No entanto, a maior rentabilidade está sempre atrelada a maior risco e, portanto, à possibilidade desse rendimento não se efetivar da forma como esperada.

O mesmo ocorre com o planejamento de uma aposentadoria, de uma viagem, da compra de um apartamento, da troca do carro, da compra de uma casa de campo, enfim, para todos estes planos eventuais atrasos e percalços momentâneos podem ser ajustados com uma mudança estratégica combinando a relação tempo x risco dos investimentos para conseguir estabelecer o menor sacrifício financeiro para o maior ganho de renda no futuro.

O que é a reserva de emergência?

Já com a reserva de emergência não se pode aplicar o mesmo raciocínio. A reserva de emergência é, como o nome diz, para emergência e ela deve estar sempre disponível para o investidor. Em alguns casos a reserva de emergência também pode ser usada para lidar com oportunidades no curto prazo.

Mas que tipo de emergência deve ser suportado pela reserva de emergência? A reserva de emrgência serve para lidar com pequenos imprevistos do dia a dia, um pequeno problema de saúde, um dia ou um período em que não se pode trabalhar, um aumento repentino em uma despesa inesperada, um conserto emergencial em casa, uma despesa emergencial com a oficina mecânica do seu veículo, um remédio mais caro que precisou ser comprado, enfim, estes imprevistos a que todos estamos sujeitos e que, por mais organizados e prevenidos que sejamos, não conseguiremos prever.

A reserva de emergência também pode ser usada para aproveitar uma determinada oportunidade. Digamos, por exemplo, que você esteja se planejando para trocar uma geladeira e está poupando dinheiro para fazê-lo ou o fará pagando em parcelas mensais no cartão de crédito. No entanto, no curso da negociação surge uma grande oportunidade de obter um desconto de 15% para o caso de pagamento à vista. Este valor pode sair da sua reserva de emergência e ela deverá ser recomposta o mais breve possível.

Qual o tamanho da sua reserva de emergência?

Bom, esta deve ser uma dúvida bastante comum e aflitiva. Mas quanto eu devo deixar separado para emergências? A resposta a esta pergunta depende, basicamente, da sua condição de empregabilidade ou facilidade de encontrar emprego em caso de um desemprego involuntário.

Se você tem uma boa condição de empregabilidade ou é estável no seu emprego, como por exemplo, no caso dos servidores públicos, a sua reserva de emergência deve ser de uma a duas vezes o seu custo de vida mensal. Assim, por exemplo, se você tem despesas fixas para viver no seu padrão atual da ordem de R$ 5 mil, a sua reserva de emergência deve ser de algo entre R$ 5 mil a R$10 mil.

Já se você for um empregado da iniciativa privada, mas ainda assim possuir boa empregabilidade ou for um profissional de uma área muito requisitada, sem dificuldades de encontrar outro emprego em caso de desembprego involuntário, recomenda-se que sua reserva de emergência seja da ordem de 4 a 6 vezes o seu custo de vida mensal. No nosso exemplo acima cujo custo de vida é de R$ 5 mil sua reserva de emergência neste caso deverá ser entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Por fim, se você for um profissional de uma área com maiores dificuldades de encontrar outro emprego ou se você tem notícias de que a empresa em que você trabalha está demitindo profssionais do seu cargo e você terá maiores dificuldades para encontrar outro emprego, recomenda-se que sua reserva de emergência seja de 6 a 8 vezes o seu custo de vida mensal. Mais uma vez, utilizando o nosso exemplo do custo de vida da ordem de R$5 mil, sua reserva neste caso deverá estar entre R$30 mil e R$ 40 mil.

Onde aplicar a reserva de emergência?

Bom, como já dissemos anteriormente, a reserva de emergência deve ser um dinheiro disponível, com bastante liquidez e que possa ser utilizado imediatamente ou no máximo no dia seguinte à solicitação.

Por isso, nada de aplicar em fundos com prazo de carência para resgate ou prazos para liquidação. A reserva de emergência não deve ser um investimento, mas sim uma reserva que esteja remunerada, provavelmente de acordo com a SELIC ou o CDI e que tenha liquidez diária. Existem diversos fundos com estas características e não será difícil escolher o que mais se adequa às suas necessidades. Este valor, dependendo do caso, pode ainda ser deixado na poupança, dependendo das taxas de juros do mercado.

Mas como conseguir juntar esse valor? Como constituir sua reserva de emergência?

Esta também é uma pergunta chave e recorrente por aqui. Identificado o valor que deve ser reservado para emergências a dificuldade da maioria das pessoas é de se organizar para conseguir poupar esse dinheiro e retirá-lo das despesas correntes da família.

Nosso planejamento aqui é o seguinte: para formar a reserva de emergência adequada devemos ter em mente que as despesas correntes não devem superar 50% da sua renda mensal. Assim é que os gastos fixos com condomínio, aluguel, impostos, contas de consumo como água, luz, telefone, internet, empregada doméstica etc., não devem superar 50% da renda familiar mensal.

Estabelecido este limite, a nossa sugestão é de que 30% a 40% seja destinado num esforço imediato para a formação da reserva de emergência de modo a constituí-la o mais breve possível. Deixando os outros 10% a 20% para consumo de supérfluos.

Após a constituição da reserva de emergência, sugere-se que os 30% a 40% que foram destinados à sua constituição sejam destinados construir investimentos que sejam capazes de aumentar a sua renda, pensando, principalmente, no longo prazo e na sua aposentadoria. Assim é que com esse valor mensal devem ser realizados aportes em fundos de investimento, realizadas compras de ações, ou a modalidade de investimento adequada ao seu perfil de investidor.

Esperamos ter esclarecido e ajudado com esse artigo no seu planejamento e constituição da sua reserva de emergência para que você possa dar um novo passo rumo à sua liberdade financeira.

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