Como começar a investir em ações com pouco dinheiro? Aprenda em 4 passos

Inicialmente temos que entender que hoje em dia está muito mais fácil investir tanto em ações quanto em títulos públicos e fundos de investimento. Isso se deve não só à facilidade de obtenção de informações que subsidiem as suas análises dos investimentos quanto à facilidade de acessar os investimentos e os títulos em que se quer investir.

Os bancos e as corretoras entenderam que uma grande parte da população quer investir e que os investimentos devem ser acessíveis e com informações claras e suficientes para que qualquer pessoa possa começar a investir.

Além disso, apesar de terem reduzido drásticamente suas taxas de corretagem e os preços dos serviços bancários, os bancos e corretoras sempre são remunerados de outras formas com a utilização de suas plataformas, seja pela oportunidade de vender outros serviços ao cliente que já utiliza a plataforma gratuitamente, seja pela possibilidade de utilizar o dinheiro aplicado pelo cliente para financiar a operação bancária, seja por atrair mais investimentos para o seu banco e pela credibilidade que isso pode trazer, enfim, os motivos são vários.

Mas agora vamos aprender como investir especificamente no mercado de ações visto que, em tempos de taxa básica de juros em declínio (atingimos o menor patamar da história com a fixação da taxa SELIC em 2% ao ano) os investimentos em renda fixa não são capazes de trazer uma rentabilidade real e uma satisfação aos anseios dos investidores.

Investindo em ações

Primeiramente, temos que ter em mente que investir em ações é muito diferente de investir em renda fixa. Na renda fixa, o risco de perder o seu patrimônio, ou parte dele, é muito menor do que no investimento em renda ações e por isso o investimento no mercado de ações, há uma necessidade muito maior de conhecimento e de estudo.

Mas como um investidor iniciante, que acabou de começar seus estudos e investimentos vai conseguir estudar as mais de 600 empresas, ler os balanços, entender a dinâmica do mercado antes de começar a investir? Claro que a chance de se escolher corretamente uma ação assim é muito pequena. O que acontece muitas vezes é que se compra a ação e a ação sobe, mas na verdade nada mais é do que um golpe de sorte. Isso porque o preço a ação comprada tem 3 possibilidades: subir, continuar no mesmo preço ou cair. Ou seja, há 33% de chance de acerto em uma escolha aleatória.

Assim é que montamos o passo a passo a seguir para que o investidor iniciante consiga começar seus investimentos, minizando seus riscos e maximizando seu aprendizado e experiência.

Passo-a-passo

O primeiro passo

O primeiro passo que sugerimos é começar a montar o seu fundo de emergência. Como já explicamos em outro artigo aqui do blog, sugere-se que este fundo de emergência seja uma reserva constituída de 3 a 6 meses do custo mensal do investidor dependendo da sua empregabilidade e que seja aplicado em algo que tenha liquidez, preferencialmente em renda fixa ou até mesmo na caderneta de poupança. Se você for um empreendedor, esse valor pode ser até maior, chegando até a 12 meses de seu custo mensal, lembrando que o objetivo deste fundo de emergência não é assegurar rentabilidade, mas sim uma previdência para gastos inesperados ou para oportunidades circunstanciais.

Segundo passo

O segundo passo que sugerimos é começar com um fundo de ações, ao invés de escolher ações porque você provavelmente ainda não estará preparado e com estudos e conhecimento suficiente para fazer estas escolhas. Além disso, o fundo de ações, também como já dito em outro artigo aqui do blog, tem gestão profissional e uma equipe dedicada a realizar a análise dos ativos para superar o benchmark fixado.

Lembre-se que se você está começando com pouco dinheiro, 100 reais, 200 reais, os custos para investir em ações podem ser de até R$ 10, incluindo aí taxa de corretagem, custória, emolumentos etc.e assim você antes de começar já deixa 10% de prejuízo.

Ou seja, dos R$ 100 reais que você está investindo na vedade você só investirá R$ 90 visto que R$ 10 já seriam deduzidos no momento da ordem de compra.

Mas como escolher um fundo de ações? Deve-se escolher um fundo com baixa taxa de administração lembrando de comparar essas taxas de administração com outros fundos de ações visto que fundos de renda fixa tem taxas de administração muito mais baixas. Além disso, há uma diversidade enorme de fundos de ações e o investidor deve ler atentamente o prospecto e as ações ou o setor em que o fundo investe. Vale lembrar que o fundo de ações costuma ter custos bem mais baixos porque não há a cobrança de uma série de taxas (ou elas são diluídas entre os investidores de modo que sejam quase imperceptíveis) e você pode deixar o dinheiro aplicado no mercado de ações, delegado a um gestor profissional enquanto você estuda e entende o por que das escolhas daquele gestor, como escolher as suas ações, etc.

Uma dica interessante aqui é a respeito de como escolher a sua corretora. Claro que há que se cotejar e buscar a corretora que melhor lhe atenda, analisando os serviços prestados, a assistencia que ela lhe fornecerá, as análises que ela disponibilizará. Além disso, deve-se ter em mente que há corretoras que cobrar uma taxa fixa por ordem dada, outras cobram um percentual sobre o valor da ordem e outras ainda que não cobram valor nenhum por ordem. Então, essa análise deve estar presente no momento de fazer as contas e verificar a viabilidade e lucratividade da operação.

Terceiro passo

O terceiro passo é, após já ter juntado um pouco mais de patrimônio e entendido melhor do mercado, a sugestão é comprar fundos de índice, os chamados ETFs. Um exemplo é o BOVA11 que é um fundo que acompanha o índice Bovespa.

Aqui não se depende mais do gestor, você mesmo é que vai no seu home broker e vai avaliar e dar a ordem de compra e venda. A decisão é sua.

Aqui, recomenda-se que você invista um pouco mais de patrimônio para que sejam diluidos os custos mais relevantes, mas a ideia é que se entenda o processo de decisão, a hora de comprar e de vender, o processo para dar a ordem, como funcionam as notas de corretagem.

No BOVA11 é como se você comprasse todas as ações da Bolsa que compõe o Ibovespa ao mesmo tempo. Se o Ibovespa subir 10% o BOVA11 vai subir 10%. Se o Ibovespa cair 5%, o BOVA11 vai cair 5%.

Além disso é possível comprar ETFs e disponibilizá-las para aluguel. Certamente isso será assunto para outro artigo aqui do blog mas é uma forma de remunerar sua carteira de ações sem que você precise vender. Explicando resumidamente, as ações funcionam como um imóvel que você não utiliza e quer alugar. Você disponibiliza na sua corretora e outras pessoas podem alugá-las e utilizálas para cobrir operações sem que você perca a propriedade das ações e dos frutos que ela der (dividendos e juros sobre capital próprio, por exemplo). Assim, outros investidores poderão vender ações sem tê-las na sua carteira usando as suas como garantia e remunerando você para isso. Mas como disse isso será explicado melhor em outro post sobre o tema.

Quarto passo

O quarto passo é investir diretamente em ações. Agora que você já tem um pouco mais de experiência, segurança e conhecimento para investir diretamente, dar suas ordens de compra e venda e administrar seu patrimônio com mais segurança.

Aqui a dica para quem está entrando no mercado agora é olhar para o longo prazo, pensando em um conceito de investimento de valor. Lembre-se que no mercado de ações se há alguém ganhando dinheiro há sempre também alguém perdendo dinheiro, visto que o mercado não tem a habilidade de criar dinheiro.

Assim, a ideia é comprar empresas que se julgue interessante para o longo prazo, não importanto se você é adepto da análise técnica ou fundamentalista. Lembre-se que você entrou agora no mercado de ações e há investidores profissionais que atuam há décadas, com muito mais experiência e informação do que você que começou agora.

Esperamos que este artigo tenha sido esclarecedor e que ajude no início das suas operações. Se quiser mais dicas siga acompanhando o nosso blog e nos deixe um comentário para maiores informações. Até mais!